Um canto de amor à Rocinha:
Quero abraçar o "Dois irmãos", pra ver se através da imensidão dessa mistura magnífica entre o asfalto e o morrão, a "gringaiada" e o sertão, a natureza e o meu coração, vou ser capaz de ser feliz sem dor, sem dó e com cor, sem medo e sem pudor.
Vivendo de amor, de "é hoje que eu vô!", de "eu tô que tô!", de "tamo junto, demorô!".
Que lugar é esse seu moço, que brinca comigo todo dia me fazendo promessas vazias?
Quero ser um grande ator, ser cientista, ser doutor! Será que posso meu Senhor?
Que lugar é esse que deixa saudades naqueles que aqui estão e naqueles que voltarão?
Saudades do que se perdeu, saudades do que não voltou, saudades do que nunca se teve, saudades daquilo que nunca faltou.
Que lugar é esse "novinha", onde o mundo inteiro se encontra de Janeiro à Janeiro, de Abril à Abril? Eu tô falando da minha casa: Rocinha, Rio de Janeiro, Brasil!
Às vezes me dá um ódio danado e eu penso em partir. Sair e não voltar, me despedir!
Mas quando penso na alegria que me dá ao retornar, ou na tristeza que vou sentir se eu realmente "meter o pé daqui", prefiro evitar e não me deixar levar por essa ideia de viver em Waikiki.
Ser brasileiro é fácil, só precisa aprender a se divertir! Ser carioca é moleza, só precisa aprender a fazer amizade aqui e ali. Agora, ser "rocinhense" é pedreira, vou mentir pra tu não!
Tem que aprender a subir ladeira, andar no beco e passar por cima de lixão!
Se embriagar na terça-feira, tomar uma dura na pracinha, trocar uma ideia com os "amigo" no Valão.
Na verdade, tu pode fazer o que tu quiser! Desde que ande na disciplina irmão.
Mas aí, quer fazer melhor: ame ao próximo como a si mesmo e ajude quem tah na mão.
Dessa forma, além de Deus te abençoar, geral vai ver que tu é sangue bom!
Erik Martins
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